Álgebra Linear I

Início · Capítulo 5 · Dualidade e quocientes

Espaços quocientes e teoremas de isomorfismo

21 cards nesta seção
  1. Motivação 5.38Identificar vetores cuja diferença está num subespaço
  2. Definição 5.39Classes módulo um subespaço; o conjunto \(V/S\)
  3. Lema 5.40Congruência módulo \(S\) é uma relação de equivalência
  4. Proposição 5.41\(V/S\) é um espaço vetorial; a projeção \(\pi\)
  5. Proposição 5.42Dimensão do quociente: \(\dim V/S = \dim V-\dim S\)
  6. Exemplo 5.43\(\R^3\) módulo uma reta e módulo um plano
  7. Exemplo 5.44Polinômios módulo as constantes
  8. Exemplo 5.45Reduzir o representante em \(\R^4/S\)
  9. Teorema 5.46Propriedade universal do quociente
  10. Exemplo 5.47A derivada no quociente pelas constantes
  11. Teorema 5.48Teorema do isomorfismo: \(V/\Nuc(T)\iso\Ima(T)\)
  12. Corolário 5.49O teorema do núcleo e da imagem, pelo quociente
  13. Exemplo 5.50Matrizes módulo as de traço nulo
  14. Exemplo 5.51Polinômios módulo os que se anulam em \(a\)
  15. Exemplo 5.52\(\R^3/[(1,-1,1)]\iso\R^2\)
  16. Proposição 5.53Todo complementar de \(S\) é isomorfo a \(V/S\)
  17. Corolário 5.54Segundo teorema do isomorfismo
  18. Proposição 5.55\((V/S)^*\iso S^0\)
  19. Proposição 5.56Operador induzido no quociente e matriz em blocos
  20. Exercício 5.57Subespaços de mesma dimensão têm quocientes isomorfos?
  21. Exercício 5.58Quocientes isomorfos implicam subespaços iguais?
Motivação 5.38

Identificar vetores cuja diferença está num subespaço

Três situações conhecidas com a mesma forma: inteiros módulo \(n\) (\(a\equiv b\) se \(n\mid a-b\)); ângulos módulo \(2\pi\); e primitivas, que são definidas “a menos de constante” (\(F\sim G\) se \(F-G\) é constante). Em cada caso se identificam objetos cuja diferença está num subconjunto fixo, e as contas continuam fazendo sentido.

Em álgebra linear: se \(T:V\to W\) é linear, as fibras de \(T\) são transladados do núcleo, e \(T\) toma um único valor em cada uma (Proposição 1.59). O objeto de estudo passa a ser o conjunto das fibras (Definição 5.39).

Definição 5.39

Classes módulo um subespaço; o conjunto \(V/S\)

Seja \(S\) um subespaço de \(V\). Para \(u,v\in V\), escrevemos \(u\sim v\) (“\(u\) é congruente a \(v\) módulo \(S\)”) se \(u-v\in S\). A classe de \(v\) é \[\bar v = v+S = \{v+s:\ s\in S\},\] e o conjunto das classes é denotado \(V/S\) (“\(V\) módulo \(S\)”).

Lema 5.40

Congruência módulo \(S\) é uma relação de equivalência

\(\sim\) é uma relação de equivalência, e \(u+S = v+S\) se e somente se \(u-v\in S\). Em particular, \(v+S = S\) se e somente se \(v\in S\).

Demonstração

\(v-v = 0\in S\); se \(u-v\in S\) então \(v-u = -(u-v)\in S\); se \(u-v,v-w\in S\) então \(u-w = (u-v)+(v-w)\in S\). Se \(u-v\in S\), então \(u+s = v+\big((u-v)+s\big)\in v+S\) para todo \(s\in S\), logo \(u+S\subset v+S\), e por simetria vale a igualdade. Se \(u+S = v+S\), então \(u = u+0\in v+S\), isto é, \(u-v\in S\).

Proposição 5.41

\(V/S\) é um espaço vetorial; a projeção \(\pi\)

As operações \[(u+S)+(v+S) = (u+v)+S,\qquad \lambda(v+S) = \lambda v+S\] estão bem definidas e fazem de \(V/S\) um espaço vetorial, com vetor nulo \(0+S = S\). A projeção \(\pi:V\to V/S\), \(\pi(v) = v+S\), é linear, sobrejetora, e \(N(\pi) = S\).

figura

\(\R^2\) módulo uma reta \(S\) (verde). As classes são as retas paralelas a \(S\); \(u\) e \(u'\) estão na mesma classe (azul), \(v\) e \(v'\) em outra (laranja). Um elemento de \(V/S\) é uma reta inteira, e não um ponto. A classe nula é a própria \(S\).

Na figura: somando \(u+v\) e \(u'+v'\), os dois pontos caem na mesma paralela. Isso é a boa definição. E que dimensão tem o conjunto das paralelas? Uma paralela fica determinada pelo ponto em que corta uma reta transversal fixa, logo \(V/S\) “parece” uma reta. A Proposição 5.42 confirma.

Demonstração

Boa definição: as fórmulas usam representantes, e é preciso ver que o resultado não depende deles. Se \(u+S = u'+S\) e \(v+S = v'+S\), então \[(u+v)-(u'+v') = (u-u')+(v-v')\in S,\qquad \lambda u-\lambda u' = \lambda(u-u')\in S,\] e o Lema 5.40 dá \((u+v)+S = (u'+v')+S\) e \(\lambda u+S = \lambda u'+S\).

Axiomas: por construção, \(\pi(u+v) = \pi(u)+\pi(v)\) e \(\pi(\lambda v) = \lambda\pi(v)\). Cada axioma em \(V/S\) é a imagem por \(\pi\) do mesmo axioma em \(V\); por exemplo, \(\lambda(\bar u+\bar v) = \pi(\lambda(u+v)) = \pi(\lambda u+\lambda v) = \lambda\bar u+\lambda\bar v\). O vetor nulo é \(\pi(0) = S\), e \(-\bar v = \overline{-v}\).

\(\pi\): é linear pelas duas igualdades acima; é sobrejetora por definição de \(V/S\); e \(\pi(v) = 0\iff v+S = S\iff v\in S\).

O quociente ℝ²/S: as classes são retas paralelas a S
Proposição 5.42

Dimensão do quociente: \(\dim V/S = \dim V-\dim S\)

Seja \((v_1,\ldots,v_k)\) base de \(S\), completada a uma base \((v_1,\ldots,v_n)\) de \(V\). Então \((\bar v_{k+1},\ldots,\bar v_n)\) é base de \(V/S\). Em particular, \[\dim V/S = \dim V-\dim S.\]

A demonstração não usa o teorema do núcleo e da imagem — e isso importa, porque o Corolário 5.49 deduz esse teorema do quociente, e não queremos círculo.

Demonstração

Gera: dado \(v = \sum_{i=1}^na_iv_i\), temos \(\bar v = \sum_ia_i\bar v_i = \sum_{i>k}a_i\bar v_i\), porque \(\bar v_i = 0\) para \(i\leq k\). LI: se \(\sum_{i>k}c_i\bar v_i = 0\), então \(\sum_{i>k}c_iv_i\in S = [v_1,\ldots,v_k]\), isto é, \(\sum_{i>k}c_iv_i = \sum_{i\leq k}d_iv_i\); como \((v_1,\ldots,v_n)\) é LI, todos os \(c_i\) são nulos.

Exemplo 5.43

\(\R^3\) módulo uma reta e módulo um plano

\(\R^3/S\) com \(S\) uma reta: as classes são as retas paralelas a \(S\), e \(\dim\R^3/S = 2\). Com \(S\) um plano: as classes são os planos paralelos, e \(\dim\R^3/S = 1\).

Exemplo 5.44

Polinômios módulo as constantes

\(\Pol{n}/\{\text{constantes}\}\): duas classes são iguais quando os polinômios diferem por uma constante — quando têm a mesma derivada. A dimensão é \(n\).

Exemplo 5.45

Reduzir o representante em \(\R^4/S\)

Em \(\R^4\), \(S = [(1,1,0,0),(0,1,1,0)]\). Os vetores \((2,3,1,5)\) e \((1,1,0,5)\) representam a mesma classe, porque a diferença \[(1,2,1,0) = (1,1,0,0)+(0,1,1,0)\in S.\] Completando a base de \(S\) com \(e_3,e_4\) (verifique que dá base de \(\R^4\)), a Proposição 5.42 dá a base \((\bar e_3,\bar e_4)\) de \(\R^4/S\). Para achar as coordenadas da classe de \((1,0,0,1)\), modifique o representante por elementos de \(S\) até ele cair em \([e_3,e_4]\): \[(1,0,0,1)-(1,1,0,0)+(0,1,1,0) = (0,0,1,1) = e_3+e_4,\] logo \(\overline{(1,0,0,1)} = \bar e_3+\bar e_4\), com coordenadas \((1,1)\).

A técnica é a que se usa em aritmética modular: reduza o representante. Somar múltiplos de \(n\) até cair entre \(0\) e \(n-1\) é o mesmo que somar elementos de \(S\) até cair num complementar escolhido. O resultado não depende das somas feitas, só do complementar.

Teorema 5.46

Propriedade universal do quociente

Sejam \(S\subset V\) um subespaço e \(T:V\to W\) linear com \(S\subset \Nuc(T)\). Então existe uma única \(\bar T:V/S\to W\) linear com \(\bar T\circ\pi = T\), a saber \(\bar T(v+S) = T(v)\). Além disso, \(\Ima(\bar T) = \Ima(T)\), e \(\bar T\) é injetora se e somente se \(S = \Nuc(T)\).

figura

A propriedade universal. Uma transformação que mata \(S\) passa ao quociente de uma única maneira. O quociente é o “menor” espaço em que \(S\) é nulo: toda transformação que anula \(S\) passa por ele.

A única ideia da demonstração é a boa definição. O padrão se repete sempre que se define algo num quociente: defina por um representante e verifique que a escolha não importa. A hipótese \(S\subset \Nuc(T)\) é usada exatamente aí, e em nenhum outro lugar.

Demonstração

Boa definição: se \(v+S = v'+S\), então \(v-v'\in S\subset \Nuc(T)\), logo \(T(v) = T(v')\). Linearidade: \(\bar T(\bar u+\lambda\bar v) = \bar T(\overline{u+\lambda v}) = T(u+\lambda v) = T(u)+\lambda T(v)\). Unicidade: a condição \(\bar T\circ\pi = T\) diz exatamente \(\bar T(v+S) = T(v)\), e \(\pi\) é sobrejetora, logo \(\bar T\) fica determinada em todos os pontos. Imagem: \(\bar T(v+S) = T(v)\) percorre \(\Ima(T)\). Injetividade: \(\bar T(v+S) = 0\iff v\in \Nuc(T)\); logo \(N(\bar T) = \{v+S: v\in \Nuc(T)\}\), que é nulo se e somente se \(\Nuc(T)\subset S\), isto é, \(\Nuc(T) = S\).

Exemplo 5.47

A derivada no quociente pelas constantes

A derivada \(D:\Pol{n}\to \Pol{n-1}\) mata as constantes, logo induz \(\bar D:\Pol{n}/\{\text{const.}\}\to \Pol{n-1}\), \(\bar D(p+\text{const.}) = p'\). Ela é injetora porque \(\Nuc(D)\) são exatamente as constantes, e sobrejetora porque \(D\) é. Sua inversa é a integral indefinida: \(\bar D^{-1}(q) = \int q+\text{const.}\) A frase “a primitiva é definida a menos de constante” é a afirmação de que a primitiva é um elemento de um quociente.

Teorema 5.48

Teorema do isomorfismo: \(V/\Nuc(T)\iso\Ima(T)\)

Seja \(T:V\to W\) linear. Então \[\bar T:\ V/\Nuc(T)\longrightarrow\Ima(T),\qquad \bar T(v+\Nuc(T)) = T(v),\] é um isomorfismo.

figura

O teorema do isomorfismo. \(\pi\) comprime cada fibra de \(T\) (cada paralela ao núcleo) num ponto; \(\bar T\) leva esses pontos, um a um, sobre a imagem. As cores acompanham as fibras. Contar dimensões neste desenho é o teorema do núcleo e da imagem (Corolário 5.49).

A figura da Proposição 1.59 é a metade esquerda desta. Lá a moral era “\(T\) é constante em cada fibra”. Aqui ela vira “\(T\) é uma função das fibras, e essa função é injetora”. E há uma diferença com o Teorema 2.92: lá a imagem era isomorfa a um complementar do núcleo, escolhido; aqui ela é isomorfa ao quociente, sem escolha.

Demonstração

Aplique o Teorema 5.46 com \(S = \Nuc(T)\): \(\bar T\) é linear, injetora (porque \(S = \Nuc(T)\)) e sua imagem é \(\Ima(T)\).

Corolário 5.49

O teorema do núcleo e da imagem, pelo quociente

Se \(\dim V<\infty\), então \(\dim V = \dim \Nuc(T)+\dim\Ima(T)\).

Demonstração

\(\dim\Ima(T) = \dim V/\Nuc(T) = \dim V-\dim \Nuc(T)\), pelo Teorema 5.48 e pela Proposição 5.42.

O teorema do núcleo e da imagem em ℝ³
Exemplo 5.50

Matrizes módulo as de traço nulo

\(\tr:\Mat{n}{n}\to\R\) é sobrejetora, logo \(\Mat{n}{n}/\{\tr = 0\}\iso\R\), por \(A+\{\tr=0\}\mapsto\tr A\). Duas matrizes são iguais módulo as de traço nulo se e somente se têm o mesmo traço. (Pode-se mostrar que \(\{\tr = 0\}\) é o subespaço gerado pelos comutadores \(AB-BA\).)

Exemplo 5.51

Polinômios módulo os que se anulam em \(a\)

\(\mathrm{ev}_a:\Pol{n}\to\R\), \(p\mapsto p(a)\), dá \(\Pol{n}/\{p: p(a) = 0\}\iso\R\): um polinômio módulo os que se anulam em \(a\) é o seu valor em \(a\).

Exemplo 5.52

\(\R^3/[(1,-1,1)]\iso\R^2\)

\(T_A:\R^3\to\R^2\) com \(A = \begin{pmatrix}1&1&0\\0&1&1\end{pmatrix}\) (Exemplo 1.63): \(N(T_A) = [(1,-1,1)]\) e \(\Ima(T_A) = \R^2\), logo \(\R^3/[(1,-1,1)]\iso\R^2\).

Proposição 5.53

Todo complementar de \(S\) é isomorfo a \(V/S\)

Se \(V = S\oplus S'\), então \(\pi|_{S'}:S'\to V/S\) é um isomorfismo.

Todo complementar de \(S\) é isomorfo a \(V/S\); o quociente é “o complementar que não depende de escolha”. Em termos da figura da Proposição 5.41: cada transversal corta cada paralela uma vez, e qualquer transversal serve para parametrizar as paralelas.

Demonstração

É o Teorema 5.48 aplicado à projeção \(P:V\to S'\) ao longo de \(S\) (Proposição 2.33), que tem núcleo \(S\) e imagem \(S'\) — ou, diretamente: \(\pi(s') = 0\iff s'\in S\cap S' = \{0\}\), e todo \(v = s+s'\) tem \(\pi(v) = \pi(s')\).

Corolário 5.54

Segundo teorema do isomorfismo

Para subespaços \(S_1,S_2\subset V\), \((S_1+S_2)/S_2\iso S_1/(S_1\cap S_2)\). Em particular, \(\dim(S_1+S_2) = \dim S_1+\dim S_2-\dim(S_1\cap S_2)\).

Demonstração

Seja \(T:S_1\to(S_1+S_2)/S_2\), \(T(s_1) = s_1+S_2\). É sobrejetora: \((s_1+s_2)+S_2 = s_1+S_2\). Seu núcleo é \(S_1\cap S_2\). Aplique o Teorema 5.48 e conte dimensões com a Proposição 5.42.

Proposição 5.55

\((V/S)^*\iso S^0\)

A transposta \(\pi^*:(V/S)^*\to V^*\) é injetora e sua imagem é \(S^0\). Portanto \((V/S)^*\iso S^0\), sem escolha nenhuma.

Em uma frase: quem mata \(S\) no domínio corresponde a quem mora em \(S^0\) no dual. Um funcional no quociente é o mesmo que um funcional em \(V\) que não vê \(S\). As dimensões conferem: \(n-k\) dos dois lados.

Demonstração

Injetora: se \(\pi^*(\varphi) = \varphi\circ\pi = 0\), então \(\varphi = 0\), porque \(\pi\) é sobrejetora. Imagem: \(\varphi\circ\pi\) se anula em \(S = N(\pi)\), logo está em \(S^0\). Reciprocamente, se \(\psi\in S^0\), então \(S\subset N(\psi)\), e o Teorema 5.46 dá \(\bar\psi\in(V/S)^*\) com \(\bar\psi\circ\pi = \psi\), isto é, \(\psi = \pi^*(\bar\psi)\).

Proposição 5.56

Operador induzido no quociente e matriz em blocos

Seja \(T:V\to V\) linear com \(T(S)\subset S\). Então existe um único operador \(\bar T:V/S\to V/S\) com \(\bar T\circ\pi = \pi\circ T\), a saber \(\bar T(v+S) = T(v)+S\). Se \((v_1,\ldots,v_k)\) é base de \(S\) e \(B = (v_1,\ldots,v_n)\) a completa, então \[[T]_B = \begin{pmatrix}A&\ast\\0&C\end{pmatrix},\qquad A = [T|_S]_{(v_1,\ldots,v_k)},\quad C = [\bar T]_{(\bar v_{k+1},\ldots,\bar v_n)}.\]

figura

A matriz de \(T\) numa base adaptada a um subespaço invariante. O quociente é o que dá sentido intrínseco ao bloco de baixo: ele não depende de como se completou a base de \(S\), a menos de mudança de base em \(V/S\).

Pelo determinante de matriz triangular por blocos (Proposição 4.28), \(\det(T-\lambda I) = \det(A-\lambda I)\det(C-\lambda I)\). Isto é, o polinômio característico de \(T\) (Definição 8.10) é o produto do de \(T|_S\) pelo de \(\bar T\). Exemplo mínimo: \(T(x,y) = (x+y,y)\) em \(\R^2\) com \(S\) o eixo \(x\): \([T] = \left(\begin{smallmatrix}1&1\\0&1\end{smallmatrix}\right)\), \(T|_S = 1\) e \(\bar T = 1\).

Demonstração

\(\pi\circ T:V\to V/S\) mata \(S\), porque \(T(S)\subset S = N(\pi)\); o Teorema 5.46 dá \(\bar T\). Para a matriz: para \(j\leq k\), \(T(v_j)\in S\) é combinação de \(v_1,\ldots,v_k\) só, o que dá o bloco \(A\) e o zero embaixo dele. Para \(j>k\), escreva \(T(v_j) = \sum_{i\leq k}b_{ij}v_i+\sum_{i>k}c_{ij}v_i\) e aplique \(\pi\): \(\bar T(\bar v_j) = \sum_{i>k}c_{ij}\bar v_i\), que é a coluna de \(C\).

Exercício 5.57

Subespaços de mesma dimensão têm quocientes isomorfos?

Verdadeiro ou falso? Se \(\dim S_1 = \dim S_2\), então \(V/S_1\iso V/S_2\).

Resolução

Verdadeira. \(\dim V/S_i = \dim V-\dim S_i\) (Proposição 5.42), e as duas dimensões são iguais. Espaços de mesma dimensão finita são isomorfos (Corolário 2.95).

Exercício 5.58

Quocientes isomorfos implicam subespaços iguais?

Verdadeiro ou falso? Se \(V/S_1\iso V/S_2\), então \(S_1 = S_2\).

Resolução

Falsa. Em \(V = \R^2\), \(S_1 = [e_1]\) e \(S_2 = [e_2]\). Os dois quocientes têm dimensão \(1\), logo são isomorfos, e \(S_1\neq S_2\).

A diferença entre igual e isomorfo é o ponto: a afirmação seria verdadeira com \(V/S_1 = V/S_2\) como conjuntos, e não apenas isomorfos.