SIICUSP — Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP

Como fazer um pôster que as pessoas leiam

Este documento contém apenas sugestões. Quem deve dar a palavra final é o/a seu/sua orientador(a), e você.

O pôster não é o seu relatório impresso em tamanho grande

Se o seu pôster pode ser lido inteiro sem você, ele está longo demais. Se ele não faz sentido nenhum sem você, está curto demais.

O alvo fica no meio: um cartaz que, sozinho, introduz o problema e o resultado, e deixa os detalhes para a conversa.

Um avaliador, professor ou colega decide em cerca de cinco segundos, a três metros de distância, se vai parar no seu pôster. Nesses cinco segundos ele lê o título e enxerga uma figura. Nada mais. Se o que ele vê é uma parede cinzenta de texto, ele segue andando, e nem você nem o seu trabalho tiveram chance.

Vale a pena inverter a ordem de produção: em vez de escrever o texto e depois espremê-lo no A0, decida primeiro qual é a única frase que você quer que a pessoa capte, escolha a única figura que sustenta essa frase, e só então escreva o mínimo de texto que liga as duas.

Densidade é o inimigo

✕ ~1.800 palavras

✓ ~550 palavras

Os dois pôsteres têm o mesmo tamanho e o mesmo trabalho por trás. O da direita será lido.

Metas concretas:

Cortar dói no coração, e é justamente aí que está o trabalho intelectual do pôster: decidir o que é essencial. O material que sobrou não se perde, ele vira a sua resposta quando alguém perguntar.

Um esqueleto que funciona

Em A0 retrato, três colunas de aproximadamente 23 cm, com margens de 4 cm e 3 cm entre colunas, dão um comprimento de linha confortável (40 a 70 caracteres). Duas colunas mais largas também funcionam; quatro, não.

O resultado principal ocupa o centro geométrico do cartaz, na altura dos olhos de quem está em pé, não o canto inferior direito, onde ninguém chega.

Regras de leitura

Tamanhos de fonte no A0

ElementoCorpoLegível a
Título90–110 pt4–5 m
Autores e afiliação48–56 pt3 m
Títulos de seção44–60 pt2–3 m
Texto corrido28–36 pt1,5 m
Legendas e eixos22–26 pt1 m
Referências18–22 ptde perto

Teste antes de imprimir: reduza o pôster para A4 e olhe a página com o braço esticado, a uns 60 cm. Tudo que você não conseguir ler nessa condição estará ilegível no A0 a dois metros. Esse teste custa uma folha de papel e salva o pôster.

O que colocar em cada bloco

As duas naturezas de trabalho representadas no simpósio pedem escolhas diferentes, mas o limite de palavras é o mesmo para as duas.

Matemática teórica

O pôster de um teorema

  • Abra em linguagem acessível. Uma frase que um colega de outra área entenda, antes de qualquer formalismo. Depois, sim, o enunciado preciso.
  • Só as definições que aparecem no enunciado do resultado. Toda definição que não é usada no teorema em destaque pode sair.
  • O teorema em destaque, isolado numa caixa. É o único bloco que precisa ser lido palavra por palavra.
  • A ideia da prova, não a prova. Ninguém acompanha uma demonstração em pé. Dê o esqueleto: a construção-chave em uma frase, um diagrama de dependência entre os lemas, o ponto onde a hipótese entra.
  • Desenhe. Matemática abstrata tem figuras: o caso n = 3, um diagrama comutativo, um contraexemplo, os intervalos na reta, o grafo pequeno que ilustra tudo. Frequentemente é o melhor pedaço do pôster.
  • Um exemplo e um contraexemplo valem mais que meia coluna de notação.

Leve a demonstração completa impressa na pasta ou no tablet, para quem pedir.

Estatística e computação

O pôster de um experimento

  • Comece pela pergunta, não pela ferramenta. “Quanto erra o modelo X” antes de “usamos a biblioteca Y”.
  • Método como esquema visual. Dados → transformação → modelo → avaliação, em caixas e setas. Meia coluna de prosa descrevendo o pipeline vira um diagrama de um quarto de coluna.
  • Resultados são gráficos. No máximo uma tabela, pequena. Se você tem uma tabela de vinte linhas, ela é um gráfico que ainda não foi feito.
  • Um gráfico principal, grande, ocupando boa parte de uma coluna, em vez de seis gráficos pequenos e ilegíveis. Eixos rotulados, com unidades, em 22–26 pt.
  • Números com incerteza. Barras de erro, intervalos, número de repetições, tamanho da amostra. Um valor sozinho não diz nada.
  • Limitações, honestamente. Duas linhas. Avaliadores valorizam isso e sempre perguntam.

Um QR code para o repositório ou o notebook resolve todas as perguntas técnicas de implementação.

Coisas que ocupam espaço e não ajudam ninguém

Duas coisas, ao contrário, não podem faltar: o nome do orientador e o reconhecimento da agência de fomento (FAPESP, CNPq/PIBIC, FINEP ou outra), quando houver bolsa. Isso é exigência da agência, não formalidade.

Os três a cinco minutos que decidem tudo

A avaliação não é apenas do seu pôster, o que vale mais é a sua explicação. O pôster é o apoio visual dela. Portanto: não leia o pôster em voz alta e não fique parado na frente dele. Posicione-se ao lado e aponte.

A estrutura da explicação oral

  1. Contexto, uma frase“Trabalho com grafos que não contêm certos subgrafos.”
  2. A pergunta“Queríamos saber quantas arestas um grafo desses pode ter.”
  3. O que você fezUma frase sobre a abordagem, não sobre a rotina de trabalho.
  4. O resultadoAponte para o bloco central. Diga o número, o teorema, o gráfico.
  5. Por que importa e o que faltaUma frase de cada. Termine com uma pergunta em aberto, convida à conversa.

Antes disso, calibre

Ao apresentar seu trabalho para alguém que se interessou pelo seu pôster, abra com uma pergunta: “Você trabalha com alguma coisa próxima de probabilidade?” A resposta define se você começa pelo intuitivo ou pelo técnico. É o hábito que mais diferencia uma boa apresentação de pôster de uma ruim.

Tenha três versões prontas: 30 segundos para quem só passou, 4 minutos para o avaliador, 10 minutos para quem se interessou de verdade. Ensaie a de 4 minutos em voz alta, umas cinco vezes, com alguém de outra área, se essa pessoa não entender a pergunta que você atacou, o problema pode estar na sua primeira frase.

Perguntas que vão aparecer

Qual foi exatamente a sua contribuição, e o que já existia na literatura?

Por que esse problema é interessante?

Essa hipótese é necessária? O que acontece se ela cair?

Como você sabe que isso está certo? Validou como?

Se tivesse mais seis meses, o que faria?

Prepare a primeira com cuidado, é a pergunta clássica de avaliador de iniciação científica, e responder “o professor sugeriu e eu fiz” custa caro. E quando não souber: diga que não sabe, e ofereça o que acha que aconteceria. Isso soa bem melhor do que inventar. Ninguém espera que você domine tudo; espera-se que você saiba o que domina.

Checklist

Marque conforme conferir. Deixe pelo menos três dias entre a versão final e a data do simpósio, gráfica atrasa.