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\begin{document}
\noindent
{\footnotesize {\sc MAC--IME--USP}} \hfill {\footnotesize {\sc Carlos Eduardo Ferreira}}

\vspace{-1mm}
\hfill {\footnotesize {\sc Sala 297A Tel.: 818 6140}}

\vspace{-1mm}
\hfill {\footnotesize {\sc e-mail} cef@ime.usp.br}

\vspace{1cm}

\begin{center}
{\large\bf MAC 5710 -- Estruturas de Dados}
\end{center}

\begin{center}
{\bf Primeiro semestre de 1999}
\end{center}

\begin{center}
{\large  Exercício-Programa 3 -- Entrega: {\bf 31 de maio de 1999}}

\vspace{0.3cm}
Árvores filogenéticas
\end{center}

Biologia computacional é a área da Ciência da Computação que surge das
aplicações em ciências biológicas. Alguns dos exemplos mais importantes destas
aplicações são montagens de fragmentos de DNA, inferência da estrutura
secundária de moléculas, etc. 

Uma aplicação muito importante é a construção 
de {\bf árvores filogenéticas}. Estas árvores são explicações plausíveis de
como foi o desenvolvimento das espécies até chegar às existentes hoje. A
construção dessas árvores envolve muitos aspectos teóricos, e é objeto de
estudo de diversos pesquisadores da área. Os interessados em Biologia
Computacional podem ler mais a respeito em: 

\begin{itemize}
\item[[1]]
Introduction to Molecular Biology \\
J. Meidanis, J.C. Setubal \\
PWS Publishing 1997. 
\end{itemize}

Neste exercício-programa estudaremos a construção de um certo tipo de árvore
filogenética. São dadas $n$ espécies e uma matriz simétrica $A_{n\times n}$, 
em que na posição $a_{ij}$ é dada a distância evolutiva entre as espécies $i$
e $j$. O objetivo é encontrar uma árvore $T$, em que todos as folhas
correspondam às $n$ espécies e os nós internos têm todos grau 3. Os nós
internos correspondem a possíveis ``espécies'' extintas das quais as espécies
atuais seriam descendentes. Na árvore $T$ cada aresta deve ter um peso de tal
forma que ao calcular a distância entre duas folhas $i$ e $j$ em $T$ devemos
obter $a_{ij}$. 

Exemplo: Dada a matriz abaixo, referente à distância evolutiva entre cinco 
espécies $\{a,b,$ $c,d,e\}$, a árvore da figura ao lado satisfaz a propriedade
requerida. 
\[
\left(
\begin{array}{rrrrr}
 0 &  7 &  8 & 17 & 14 \\
 7 &  0 & 11 & 20 & 17 \\
 8 & 11 &  0 & 13 & 10 \\
17 & 20 & 13 &  0 &  5 \\
14 & 17 & 10 &  5 &  0 \\
\end{array}
\right) 
\epsffile{ep3f1.eps}
\]
No exemplo acima, a distância na árvore entre $a$ e $d$ é 17, a entrada
correspondente na matriz. 

Pode-se mostrar que, para que exista uma tal árvore, a matriz $A$, além de
simétrica, deve respeitar a propriedade triangular, ou seja, para todo $i,j,k
\in \{1,\dots,n\}$, $a_{ij} \le a_{ik} + a_{kj}$. 

A idéia para resolver o problema é iterativa. Para duas espécies, basta
construir uma árvore com apenas uma aresta, com o peso dado. Para inserir uma
terceira espécie, basta encontrar o ponto em que esta aresta deverá ser
dividida, dando origem a um vértice interno, a que a nova espécie será
ligada. Veja a figura abaixo. 

$$ \epsffile{ep3f2.eps} $$

Os valores $d_1, d_2$ e $d_3$ na figura deverão satisfazer as equações: 

\[
\begin{array}{lrll}
d_1 &       & + d_3 & = d_{ab} \\
d_1 & + d_2 &       & = d_{ac} \\
    &   d_2 & + d_3 & = d_{bc}
\end{array}
\]

Que é um sistema de três equações e três incógnitas, facilmente resolvível. 
O procedimento para inserir uma nova espécie segue então a mesma idéia. A
idéia é tomar um par de espécies, e tentar inserir a nova espécie no caminho
que as liga. Para fazer isso devemos resolver um sistema semelhante ao exposto
acima. Há duas possibilidades para a solução deste sistema: 

\begin{itemize}
\item a solução dá origem a um novo nó interno da árvore, e a espécie nova
será ligada diretamente a este vértice. 

\item a solução coincide com um vértice já existente. Neste caso não podemos
ligar a nova espécie a este vértice, pois estaríamos criando um nó de grau
4. Então, devemos tentar um novo par de vértices para incluir a nova espécie. 
\end{itemize}

Se, ao tentarmos todos os possíveis pares de vértices não pudermos incluir a
nova espécie, seu programa deverá dizer que é impossível construir uma árvore
filogenética para a matriz dada. 

Com isso, a entrada para este exercício-programa será uma matriz $A$ como
descrito acima, e a saída deverá ser uma árvore filogenética satisfazendo as 
condições descritas, caso exista. Pense bem que operações você está
executando sobre estas árvores, que estruturas de dados são mais eficientes
para implementá-las, etc. 

O algoritmo para resolver este problema está descrito no livro [1], seção
6.5.1.  

PS. No segundo semestre de 1999 será oferecida a disciplina ``Biologia
Computacional''. 


\end{document}
